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Votação das propostas prioritárias se encerra hoje

Painel rodou municípios durante os Jogos Olímpicos, passando por Nova Iguaçu, Rio de Janeiro e São Gonçalo. Resultado será divulgado em breve.

Por Lívia Cunto 

As Olimpíadas chegaram ao fim e a pergunta sobre o futuro do Rio se faz cada vez mais presente. Para onde vai a cidade, encerrado o ciclo de grandes eventos? A Casa e os parceiros da Campanha #Rio2017 já estão refletindo há tempos e construíram juntos uma visão de futuro capaz de mobilizar a construção de uma cidade melhor, porque voltada para todos.

A Agenda Rio 2017 traz propostas para redução de desigualdades, o aprofundamento democrático e o desenvolvimento sustentável em toda a metrópole. Elas estão organizadas em 12 temas chave para o desenvolvimento urbano da cidade. Nas últimas semanas, rodamos ruas e redes ouvindo fluminenses sobre as demandas mais urgentes.

O Painel móvel esteve circulando pela metrópole. Em Morro Agudo, Nova Iguaçu, o Instituto Enraizados, parceiro da Campanha #Rio2017, foi anfitrião da ação. A proposta mais votada no dia foi a de requalificação da malha de trens, no tema Mobilidade Sustentável. A escolha reflete a importância do transporte público para os moradores do município: 109 mil iguaçuanos se dirigem todos os dias à capital para trabalhar, configurando o quinto maior fluxo de deslocamento pendular do país.

Votação em Morro Agudo, Nova Iguaçu

A ocasião foi também oportunidade para apresentação do Compromisso de Campanha aos candidatos do município. Adriano Dias, candidato a prefeito pela Rede, e Leci Carvalho, pelo PSOL, assinaram o documento. Janety Crespo e Luiz Alberto Santos, concorrentes a uma vaga na Câmara de Vereadores pelo PSOL, também firmaram compromisso com os valores da Agenda Rio 2017. Saiba que outros candidatos aderiram até agora.

Na capital, os painéis passaram o dia estacionados em frente ao Shopping de Santa Cruz, na zona oeste. Mais de 70 pessoas votaram no tema Cidade para Viver, que defende a valorização de parques, praças e espaços públicos de convivência e lazer. Binho Cultura, candidato a vereador pelo PDT, passou para firmar seu compromisso com a Campanha #Rio2017 e com a construção de uma cidade mais justa, democrática e sustentável.

Para Mônica Parreira, fotógrafa e moradora de Santa Cruz, a escolha prioritária pela valorização dos espaços públicos do bairro é reflexo do desconforto dos moradores com as mudanças urbanísticas estabelecidas pela prefeitura para a construção dos corredores e terminais de BRT. "Meus olhos se perderam quando atravessei máquinas e trabalhadores perguntando o que estava acontecendo com a praça onde brinquei toda minha infância e ninguém conseguia me explicar", conta ela fazendo referência à praça do Curral Falso, recentemente transformada em uma rotatória. "A sensação do povo, principalmente dos mais antigos, é a de não existir no próprio local que nasceu".

Para Mônica, o foco de atuação do poder público deve ser a revitalização dos espaços já existentes, tornando-os mais abertos ao uso pelos cidadãos. Ela defende ainda que as indústrias presentes na região sejam demandadas a atuar mais diretamente na promoção de iniciativas para o desenvolvimento de Santa Cruz, que hoje sofre os impactos ambientais e sociais do incremento da atividade industrial.

Henrique Silveira, coordenador executivo da Casa Fluminense, acredita que essa escuta é o caminho para territorializar as propostas da Agenda Rio 2017, transformando-as em demandas locais concretas e tornando essa visão de cidade mais palpável para o fluminense. "A valorização dos espaços públicos em Santa Cruz se materializa, por exemplo, numa gestão mais viva e aberta do Palacete da Princesa Isabel, um centro cultural com salas de exposições e galpões que hoje está sem agenda de atividades", disse ele após o dia de interação com moradores. O Palacete, inaugurado pela prefeitura em 2008 depois de uma reforma que custou mais de três milhões, "deveria ser um potente equipamento, cumprindo a função de organizar a produção, fruição e acesso à cultura na zona oeste", comenta Pablo Ramoz, associado da Casa e anfitrião da ação em Santa Cruz. Após passar da pasta de cultura para a de educação, no entanto, o espaço segue subutilizado.

Outro destaque de Santa Cruz foi a distribuição de pipas #Rio2017, produção exclusiva do projeto Soltando Ideias, da Agência de Redes para a Juventude. Essa foi uma maneira lúdica de interagir com a população sobre o futuro da cidade e a criançada aprovou.

Responsável pelas atividades de diálogo nos municípios, Luiz Carlos Dumont, morador de Nova Iguaçu, se surpreendeu com o interesse dos cidadãos no debate de políticas. "De início as pessoas hesitavam, achando que se tratava de algum evento partidário. Mas depois que percebiam que era uma construção da sociedade civil, se abriam para debater. Ficou muito claro que as pessoas querem ser ouvidas a respeito dos rumos da cidade", comentou ele.

Em São Gonçalo, Jardim Catarina foi o bairro escolhido para abrigar os Painéis. A Amajac, associação de moradores local, recebeu os gonçalenses junto com a equipe da Casa, na Praça do 28. Conhecido pelas lindas praias impróprias pra banho, como é o caso da Praia das Pedrinhas, o município escolheu a despoluição da Baía de Guanabara e sua utilização para atividades de esporte e lazer como demanda prioritária.

São Gonçalo tem um longo histórico de descaso com a agenda de universalização do saneamento básico: apenas 0,70% da população é atendida com coleta e tratamento. A única estação de tratamento do município, construída com investimentos do PDBG na década de 90, não trata, até hoje, nenhuma gota de esgoto. Na época, a equipe responsável pela execução do projeto optou por uma tecnologia de tratamento não utilizada pela CEDAE, empresa que viria a ser responsável por operar a estação. A Companhia alega não ter equipes capacitadas a gerir os equipamentos e que os insumos necessários são caros demais para tornar a estação viável. As obras de adaptação da ETE, levadas a cabo pelo Governo do Estado, ainda não foram concluídas.

Um segundo sistema de esgotamento sanitário está sendo construído, também com recursos internacionais. A finalização do SES Alcântara está prevista para final de 2017, com a promessa de conectar o esgoto de 233 mil moradores à rede. A Amajac é uma das organizações envolvidas em monitorar o avanço da obras e o cumprimento das metas.

O resultado da votação será divulgado em breve por aqui, continue ligado!

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